A gruta de Ondimba – Tchivinguiro, localizada na aldeia do Tchivinguiro, apresenta uma idade estimada de cerca de 10 mil anos, segundo os resultados preliminares dos estudos geológicos realizados por um laboratório nos Estados Unidos da América.
As análises científicas fazem parte do primeiro projecto de investigação sistemática sobre uma gruta angolana, desenvolvido pela agência turística Tac Tour em parceria com o Museu de História Natural de Nova Iorque, a Universidade de Lisboa e o Clube de Espeleologia de Berlim, contando ainda com o apoio institucional do Ministério da Cultura de Angola, do Ministério do Turismo de Angola e do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás de Angola.

O estudo foi realizado a partir da análise de uma estalagmite recolhida na gruta, através de processos de datação biométrica que permitiram determinar a interrupção do crescimento da formação geológica durante aproximadamente 10 mil anos antes de retomar o desenvolvimento natural.
As análises laboratoriais confirmaram que a estrutura é composta principalmente por carbonato de cálcio, com presença de oxigénio proveniente da água da chuva, carbono derivado da vegetação, além de traços de magnésio e estrôncio.
Segundo o responsável da Tac Tour, Carlos Bumba, esta fase da investigação teve como principal objectivo determinar a idade da cavidade natural, sendo que ainda estão em curso estudos adicionais sobre o grau de humidade, temperatura interna e nível de segurança da gruta, factores essenciais para avaliar a viabilidade da sua exploração turística.
Este primeiro estudo serve apenas para definir a base científica. A turistificação da gruta só poderá avançar depois da conclusão das análises sobre perigosidade, luminosidade natural e condições ambientais internas”, explicou.
O projecto integra a estratégia de desenvolvimento do espeleoturismo em Angola, que pretende transformar várias cavidades naturais em produtos turísticos sustentáveis, respeitando critérios científicos de segurança. Além da gruta de Ondimba, a investigação abrange também outras formações cavernícolas, incluindo a gruta do Sassa, Nzenzo, Zau Evua e Cabo Lebo.
Para a segunda fase do estudo, prevista para Outubro ou Novembro, está estimado um orçamento mínimo de 25 mil dólares, financiamento que deverá ser partilhado entre o Museu de História Natural de Nova Iorque, um banco angolano ainda não identificado e os ministérios envolvidos no projecto.

Os investigadores deverão regressar a Angola para a conclusão das análises científicas e início do estudo de outras cavidades inseridas na futura rota nacional de espeleoturismo, com apoio diplomático da Embaixada da Itália em Angola, que tem mediado contactos com empresas petrolíferas e organizações italianas para mobilização de financiamento.
A gruta de Ondimba localiza-se a cerca de 1.600 metros acima do nível médio do mar, numa zona de depressões cársicas onde a acumulação e posterior dispersão da água pelas rochas favorece a formação de estalactites e estalagmites, fenómenos geológicos típicos de ambientes cavernícolas.

