Sete governos da União Europeia alertaram o executivo do bloco contra possíveis interferências no sistema que define os preços da energia na Europa, numa altura em que Bruxelas procura soluções para reduzir os custos energéticos enfrentados por consumidores e empresas. Entre os países que assinaram a carta estão a Países Baixos e a Suécia, que manifestaram preocupação com alterações no actual modelo do mercado energético europeu.
Os preços da energia tornaram-se um dos principais temas da agenda política europeia em 2026. Diversas indústrias têm alertado que enfrentam dificuldades para competir com empresas dos Estados Unidos e da China, onde os custos energéticos são significativamente mais baixos. A recente subida dos preços globais do petróleo e do gás, associada às tensões envolvendo o Irã, aumentou a pressão sobre a Comissão Europeia para apresentar medidas concretas que ajudem a aliviar as contas de energia no bloco.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu avaliar se o actual sistema de formação de preços da eletricidade na União Europeia deve ser revisto. Entretanto, a Comissão está a estudar diferentes opções para tentar reduzir os preços da energia, embora especialistas e autoridades europeias admitam que não existe uma solução rápida para o problema.

Numa carta enviada ao comissário europeu para a Energia, Dan Jørgensen, os ministros da energia de sete países – incluindo Dinamarca, Finlândia, Letônia, Luxemburgo e Portugal – advertiram que alterar o mecanismo atual poderia tornar o mercado menos eficiente e acabar por aumentar ainda mais os custos para consumidores e empresas. Segundo os signatários, a interferência no sistema de formação de preços criaria incerteza regulatória e reduziria os investimentos no sector energético europeu.
O modelo do mercado elétrico da UE funciona de forma que a última central necessária para satisfazer a procura total define o preço da energia. Frequentemente, essa central é alimentada a gás natural, o que significa que aumentos no preço do gás podem elevar rapidamente o custo da eletricidade, mesmo quando uma grande parte da produção provém de fontes renováveis mais baratas.
Na visão dos sete países, o principal problema não é o funcionamento do mercado energético, mas sim a forte dependência europeia de gás importado e caro. Por isso, defendem que a União Europeia acelere a expansão de fontes de energia renováveis e adopte medidas que incentivem os consumidores a utilizar eletricidade em períodos de menor preço.


A posição destes governos contrasta com propostas defendidas por alguns países, como a Itália, que anunciou planos nacionais para eliminar os custos de carbono das contas das centrais elétricas a gás, uma medida que poderia alterar o actual sistema de formação de preços da energia.
Os países que assinaram a carta encontram-se entre as economias mais desenvolvidas da União Europeia e, em muitos casos, apresentam alguns dos preços de energia mais baixos do bloco. A Suécia e a Finlândia, por exemplo, produzem mais de 90% da sua eletricidade a partir de fontes de baixo carbono, ao contrário de países como a Polônia, que ainda dependem fortemente do carvão para gerar energia.

