O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou não estar preocupado com a recente subida dos preços da gasolina no país, apesar da escalada militar envolvendo o Irã estar a pressionar os mercados globais de energia.
Em entrevista exclusiva à Reuters, Trump declarou que a prioridade da administração norte-americana é a operação militar em curso no Médio Oriente, relativizando o impacto do conflito no custo dos combustíveis.
“Não me preocupo com isso. Eles vão cair muito rápido quando isto acabar. E se subirem, vão subir, mas isso é muito mais importante do que ver o preço da gasolina aumentar um pouco”, afirmou.

As declarações marcam uma mudança de tom em relação às semanas anteriores, quando o presidente destacava a queda dos preços da gasolina como um dos indicadores positivos da economia norte-americana durante o seu discurso sobre o Estado da União.
Guerra pressiona preços da energia
Desde o início da escalada militar no fim de semana, os mercados energéticos registaram forte volatilidade. O preço internacional do petróleo já subiu cerca de 16%, impulsionado pelos receios de perturbações no abastecimento do Médio Oriente.
Nos Estados Unidos, o preço médio nacional da gasolina aumentou 27 cêntimos por galão numa semana, atingindo cerca de 3,25 dólares, segundo dados da American Automobile Association.

A região do Golfo Pérsico concentra algumas das rotas energéticas mais estratégicas do mundo, em particular o Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo transportado globalmente.
Apesar das preocupações do mercado, Trump afirmou acreditar que o corredor marítimo permanecerá aberto, argumentando que a marinha iraniana já não representa uma ameaça significativa na região.
Casa Branca avalia medidas para travar subida dos combustíveis
Nos bastidores, porém, a administração norte-americana acompanha com atenção o impacto económico do conflito.
Segundo a Reuters, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, e o secretário de Energia, Chris Wright, mantiveram contactos com executivos das principais empresas petrolíferas para avaliar possíveis medidas de estabilização do mercado energético.
Entre as opções em análise estão:redução ou suspensão temporária do imposto federal sobre a gasolina, flexibilização das regras ambientais para combustíveis de verão, garantias de seguro apoiadas pelo governo para navios petroleiros que transitam pelo Golfo.

Também foi discutida a possibilidade de recorrer à Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos, o maior stock de emergência de crude do mundo, embora Trump tenha indicado que não pretende utilizar essa reserva “pelo menos por agora”.
Impacto político e eleitoral
Analistas políticos alertam que uma subida prolongada dos preços da energia pode ter efeitos directos no cenário eleitoral norte-americano.
O aumento do custo da gasolina é tradicionalmente um dos indicadores económicos mais sensíveis para os eleitores dos EUA, sobretudo num momento em que o país se prepara para as eleições intercalares de novembro, que irão definir o controlo do Congresso.
Mesmo assim, líderes republicanos, incluindo o presidente da Câmara, Mike Johnson, têm minimizado os riscos políticos associados à subida dos preços.
A Casa Branca aposta que o conflito militar com o Irã será relativamente curto, com Trump a apontar para um prazo de quatro a cinco semanas para a operação.
Contudo, especialistas em política externa e segurança internacional consideram que a situação no Médio Oriente permanece imprevisível, sobretudo devido ao risco de interrupções nas rotas marítimas de petróleo e gás, o que poderá continuar a influenciar os preços globais da energia nas próximas semanas.

