A produção nacional de milho em Angola continua significativamente abaixo das necessidades do mercado interno, com um défice estimado em cerca de sete milhões de toneladas por ano, segundo dados avançados pelo director da ONG ADRA Angola, Simione Chiculo. O país produz atualmente pouco mais de três milhões de toneladas, valor considerado insuficiente para responder à procura alimentar e industrial.
O milho, sendo uma das principais matérias-primas para a produção de ração animal, tem impacto direto nos setores de avicultura, suinicultura e bovinicultura, influenciando também os preços da carne no mercado nacional.


Este défice obriga o país a recorrer à importação de alimentos, num contexto em que Angola gasta cerca de 2,5 mil milhões de dólares por ano para suprir necessidades alimentares.
De acordo com estimativas apresentadas, o Ministério da Agricultura registou uma colheita de cerca de 3,6 milhões de toneladas no ciclo agrícola 2024-2025, valor ainda distante da meta ideal de 10 milhões de toneladas anuais necessárias para alcançar a autossuficiência alimentar. O milho destaca-se por ser uma cultura adaptável a várias regiões do país, mas cuja produtividade permanece baixa.
Em termos comparativos, o desempenho agrícola angolano está abaixo de vários padrões internacionais. Enquanto países como os Estados Unidos registam médias de até 12 toneladas por hectare e o Brasil entre 7 e 8 toneladas, Angola apresenta cerca de 1 tonelada por hectare na agricultura familiar e até 2 toneladas no setor empresarial. Na região da África Austral, países como Zâmbia e Zimbábue conseguem rendimentos superiores, entre 5 e 6 toneladas por hectare.

Especialistas apontam que o principal desafio não está na expansão da área cultivada, mas sim no aumento da produtividade. A prioridade passa pela melhoria da assistência técnica aos produtores, incluindo acesso a sementes melhoradas, formação agronómica, melhores práticas de sementeira e uso adequado de fertilizantes, reforçando o papel da ciência na agricultura.
A ONG ADRA, fundada em 1991 e presente em várias províncias como Luanda, Benguela, Huíla e Huambo, acompanha atualmente 284 organizações de camponeses, entre cooperativas e associações, desempenhando um papel relevante no apoio ao desenvolvimento rural e à capacitação de pequenos agricultores no país.

