A norte-americana Ur-Energy iniciou oficialmente as operações de extracção de urânio no projecto Shirley Basin, localizado no estado de Wyoming, reforçando a estratégia de expansão da produção doméstica de combustível nuclear nos Estados Unidos.
Segundo a empresa, os trabalhos de mineração arrancaram após a conclusão das principais infra-estruturas do projecto, instalação do campo de poços e obtenção das autorizações regulatórias necessárias. A operação utiliza o método de recuperação in situ (ISR), tecnologia considerada mais eficiente e menos invasiva em comparação com a mineração convencional.

O distrito de Shirley Basin é historicamente reconhecido como uma das regiões pioneiras da mineração ISR nos Estados Unidos. O regresso das actividades mineiras ocorre numa fase em que o mercado energético global volta a olhar para a energia nuclear como alternativa estratégica para segurança energética e redução das emissões de carbono.
A Ur-Energy espera que as concentrações de urânio recuperadas aumentem gradualmente à medida que os sistemas de produção forem plenamente estabilizados. A empresa prevê transportar a resina carregada de urânio para as instalações de Lost Creek ainda durante este verão, onde será realizado o processamento final do minério, sujeito à aprovação adicional das autoridades reguladoras.


O projecto Shirley Basin possui recursos minerais medidos e indicados estimados em cerca de 9,1 milhões de libras equivalentes de U₃O₈, com teor médio de 0,22%. A vida útil prevista da mina ronda os nove anos, distribuídos por três unidades de exploração de baixa profundidade.
A integração da nova operação com a infraestrutura já existente em Lost Creek deverá aumentar a flexibilidade operacional da empresa e ampliar a sua capacidade anual de processamento para até 2 milhões de libras equivalentes de U₃O₈. A companhia considera que este modelo permitirá reduzir custos logísticos e melhorar a eficiência da cadeia produtiva.
Para o CEO Matt Gili, o início das operações representa um marco estratégico para o crescimento da Ur-Energy e para o reforço do abastecimento interno de urânio nos Estados Unidos. A administração defende que o avanço do projecto fortalece a posição da empresa no sector nuclear norte-americano, numa altura em que cresce a pressão por fontes energéticas estáveis e independentes de mercados externos.

