Fabricantes de energia solar na China registaram novos prejuízos no primeiro trimestre, mesmo com o aumento do interesse internacional por energias renováveis impulsionado pela crise energética ligada ao conflito no Irão. O setor continua pressionado por uma combinação de procura interna fraca, excesso de capacidade e queda persistente dos preços dos painéis solares.
Empresas como a JinkoSolar e a Trina Solar conseguiram reduzir perdas, beneficiando da recuperação parcial dos preços dos módulos e do crescimento do segmento de armazenamento de energia. Já a Longi Green Energy reportou aumento do prejuízo, impactada por oscilações cambiais e margens mais apertadas.


Apesar do contexto geopolítico ter elevado os preços globais do petróleo e do gás — sobretudo após perturbações no Estreito de Ormuz — e incentivado países a reforçarem a segurança energética, analistas indicam que esse efeito positivo na procura externa não será suficiente para compensar os desafios estruturais do mercado chinês.
A procura doméstica enfraqueceu devido a mudanças no sistema de precificação da eletricidade na China, que reduziram a rentabilidade dos projetos de energia renovável. Como resultado, o maior mercado solar do mundo deverá registar uma queda de cerca de 20% na procura em 2026, superando o crescimento estimado de 10% nos mercados internacionais.


Além disso, o setor enfrenta um problema persistente de sobrecapacidade, que tem pressionado os preços abaixo de níveis sustentáveis de lucro. Mesmo com a antecipação de encomendas no início do ano e o aumento do interesse externo, o mercado mostrou sinais de arrefecimento em abril, refletindo a fragilidade da recuperação.
No plano estratégico, as empresas chinesas estão a apostar em diversificação, com foco crescente em armazenamento de energia e expansão internacional, tentando equilibrar a volatilidade do mercado interno. Ainda assim, especialistas alertam que, sem um reequilíbrio entre oferta e procura, o setor solar chinês continuará sob pressão financeira nos próximos trimestres.

