O Lloyds Banking Group registou um crescimento expressivo dos lucros no primeiro trimestre do ano, superando as previsões dos analistas, num período marcado por crescente tensão geopolítica e receios sobre o impacto económico da guerra entre o Irão e os Estados Unidos no Médio Oriente.
O banco britânico anunciou um lucro líquido antes de impostos de 2 mil milhões de libras esterlinas entre Janeiro e Março, representando um aumento de 33% face ao mesmo período do ano anterior, quando os ganhos se fixaram em 1,52 mil milhões de libras. O desempenho ficou igualmente acima das estimativas do mercado, que apontavam para cerca de 1,84 mil milhões de libras.
A melhoria dos resultados foi impulsionada sobretudo pelo crescimento das receitas provenientes da actividade de crédito, num contexto em que as taxas de juro continuam elevadas no Reino Unido. Ainda assim, o banco reconheceu sinais de deterioração económica e contabilizou uma despesa de 151 milhões de libras para acomodar possíveis perdas futuras associadas ao agravamento do ambiente macroeconómico.



Segundo a instituição financeira, a guerra no Médio Oriente poderá afectar negativamente a economia britânica e o crescimento global, aumentando os riscos de desemprego e pressionando o desempenho de famílias e empresas. O Lloyds revelou que reviu alguns dos cenários económicos utilizados nos seus modelos internos de risco, reflectindo maior cautela face à evolução da conjuntura internacional.
Apesar das incertezas, o banco mantém confiança na concretização das metas traçadas para os próximos anos. A administração reafirmou que continua alinhada com o objectivo de alcançar uma rentabilidade superior a 16% sobre o capital tangível até 2026, depois de já ter reforçado as suas previsões no início do ano.
Os resultados surgem também num momento em que o Lloyds continua sob pressão devido ao escândalo relacionado com financiamentos automóveis no Reino Unido, envolvendo alegadas comissões ocultas cobradas aos clientes. No entanto, o banco informou que não realizou novas provisões para compensações ligadas a esse processo durante o primeiro trimestre.

Analistas consideram que os números revelam resiliência operacional por parte do Lloyds, embora alertem que a evolução dos conflitos internacionais, a inflação persistente e uma possível desaceleração da economia europeia poderão continuar a pressionar o sector bancário nos próximos meses.

