O Banco Nacional de Angola iniciou 2026 com um aumento do financiamento directo ao Estado, num contexto marcado por redução das reservas internacionais e maior pressão sobre a liquidez externa do país. A dinâmica reacende o debate sobre a sustentabilidade do equilíbrio financeiro nacional.
Em Janeiro, o banco central terá disponibilizado cerca de 479,1 mil milhões de kwanzas ao Governo, equivalente a aproximadamente 525 milhões de dólares. Este valor representa uma utilização significativa de financiamento num curto espaço de tempo, num ano ainda em fase inicial.
Em paralelo, as reservas internacionais líquidas registaram uma queda de 477 milhões de dólares no primeiro trimestre, fixando-se em 15,4 mil milhões de dólares, abaixo dos 15,9 mil milhões registados no final de 2025. A trajectória indica uma redução gradual da almofada externa.


Os dados sugerem uma aceleração do recurso ao financiamento interno por parte do Executivo, com maior dependência do banco central para garantir liquidez de curto prazo. Este movimento ocorre num ambiente de maior pressão sobre as contas externas.
Ao longo de 2025, o financiamento do banco central ao Estado terá atingido cerca de 1,64 mil milhões de dólares, o que torna o valor registado apenas no primeiro mês de 2026 particularmente expressivo face ao histórico recente.
A relação entre o aumento do crédito ao Tesouro e a diminuição das reservas internacionais tem sido apontada por analistas como uma tendência recorrente. Embora não indique, por si só, uma crise imediata, reflecte fragilidades estruturais na gestão macroeconómica.

A legislação do banco central impõe limites ao financiamento directo ao Estado, ainda que permita excepções em condições específicas. Este enquadramento tem sido alvo de atenção no debate sobre a independência da política monetária.
A evolução recente reforça a leitura de uma economia sensível a choques externos e dependente de mecanismos internos de financiamento. O equilíbrio entre estabilidade das reservas e necessidades do Tesouro permanece um dos principais desafios do arranque de 2026.

