O Sudão decidiu proibir a importação de uma ampla lista de produtos alimentares, bens de consumo e insumos industriais, numa tentativa de travar a forte desvalorização da libra sudanesa e reduzir a pressão sobre as reservas cambiais do país.
A medida surge num contexto de agravamento da crise económica provocada pela guerra civil, com a moeda sudanesa a perder cerca de 10% do seu valor desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Médio Oriente. Actualmente, a libra sudanesa é negociada em torno de 4.100 por dólar, aprofundando as dificuldades económicas internas.
Entre os produtos afectados pela proibição estão alimentos processados, chocolates, arroz, frutas, materiais plásticos, brinquedos, cimento e até matérias-primas destinadas à indústria local. O Governo considera muitos desses itens como bens “de luxo e desnecessários” num momento de forte pressão financeira.

A decisão provocou reacções negativas no sector empresarial. A câmara de importadores do país classificou a medida como prejudicial e mal estruturada, alertando que as restrições podem favorecer monopólios e reduzir ainda mais a concorrência no mercado interno.
A economia sudanesa enfrenta uma deterioração severa desde o início da guerra entre o exército regular e as forças paramilitares, conflito que destruiu parte significativa da capacidade industrial e agrícola do país, além de impulsionar o contrabando de ouro, uma das principais fontes de receita externa.



A instabilidade também ampliou o défice comercial e agravou a escassez de divisas. Antes do conflito, a moeda sudanesa era negociada perto de 600 libras por dólar, o que evidencia a profundidade da crise cambial e inflacionária actual.
Apesar de milhões de deslocados começarem a regressar a algumas regiões mais estáveis do Sudão central, o aumento da procura por alimentos, materiais de construção e bens essenciais poderá criar novas pressões sobre o abastecimento interno, levantando dúvidas sobre a eficácia das restrições comerciais no médio prazo.

