A realização da 18.ª edição do festival 72 Horas do Livro confirma a aposta da Guiné na cultura como instrumento de desenvolvimento social e posicionamento internacional. O evento, que decorre principalmente em Conacri, tem vindo a expandir-se para outras localidades, consolidando-se como uma plataforma nacional de promoção da leitura e dinamização da economia cultural.
Mais do que um encontro literário, o festival funciona como um ecossistema que reúne escritores, estudantes e agentes culturais, estimulando a circulação de ideias e a valorização do capital intelectual. A expansão para cidades como Forecariah demonstra uma estratégia de descentralização cultural, com impacto directo na inclusão e no acesso ao conhecimento em diferentes regiões do país.



Do ponto de vista económico, iniciativas como o “72 Horas do Livro” reforçam o papel da literatura dentro da economia criativa, ao gerar oportunidades para editoras, autores e produtores culturais. A realização de debates, concursos e apresentações artísticas contribui para a formação de públicos e para o fortalecimento de uma cadeia de valor que pode evoluir para mercados mais estruturados de conteúdo e educação.
Entre os destaques, o concurso Miss Literatura ganha relevância como ferramenta de engajamento jovem, ao associar leitura, criatividade e reconhecimento público. A vencedora desta edição, Aïssatou Kamano, simboliza o potencial transformador da educação e da literatura no desenvolvimento individual e social, reforçando a dimensão simbólica do evento.

Numa leitura crítica, apesar do crescimento e reconhecimento internacional incluindo a ligação à UNESCO , o desafio permanece na sustentabilidade e escalabilidade do festival. Para maximizar impacto económico, será necessário integrar o evento em políticas culturais mais amplas, capazes de transformar o incentivo à leitura em indústria editorial robusta e motor de desenvolvimento contínu

