O risco de escassez de energia na Europa volta ao centro das preocupações globais, após alertas da TotalEnergies sobre os impactos prolongados do bloqueio no Estreito de Ormuz, uma das principais artérias do comércio mundial de petróleo e gás.
O director executivo da companhia, Patrick Pouyanné, advertiu que, caso a interrupção persista por mais dois a três meses, o continente europeu poderá enfrentar dificuldades semelhantes às já registadas em alguns mercados asiáticos, onde o abastecimento energético se tornou mais restrito.
Segundo o responsável, a capacidade de absorção de choques já foi praticamente esgotada, indicando que as reservas disponíveis deixaram de ser suficientes para compensar a interrupção prolongada das exportações provenientes do Golfo Pérsico.


O alerta surge num contexto de escalada das tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã, que resultou no encerramento quase total da rota marítima, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás.
Para os mercados, o impacto é imediato, a restrição na oferta tende a pressionar os preços das matérias-primas energéticas, elevando custos industriais, pressionando a inflação e reduzindo a previsibilidade para empresas e governos.
Pouyanné sublinha que o petróleo proveniente do Golfo continua a ser um elemento essencial para o equilíbrio energético global, destacando o seu custo competitivo e a sua importância estratégica para os mercados consumidores.
A médio prazo, o cenário reforça a necessidade de diversificação das rotas de transporte e das fontes de energia, num esforço para reduzir a dependência de pontos críticos como o Estreito de Ormuz.

Analistas apontam que, caso a situação se prolongue, a Europa poderá enfrentar não apenas aumento de preços, mas também riscos concretos de racionamento energético em sectores industriais mais dependentes de combustíveis fósseis.
Num ambiente global cada vez mais sensível à geopolítica, o episódio evidencia como a segurança energética permanece um dos principais determinantes da estabilidade económica, com efeitos diretos nos mercados financeiros e nas cadeias de abastecimento globais.

