Os mercados financeiros das economias emergentes registaram perdas, pressionados pela incerteza em torno do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, num cenário que voltou a elevar a aversão ao risco entre investidores globais.
As ações e moedas recuaram de forma generalizada, refletindo a cautela dos mercados face à possibilidade de escalada do conflito, enquanto o dólar se manteve valorizado como ativo de refúgio. O índice de ações de mercados emergentes perdeu força após atingir máximos recentes, sinalizando um movimento de correção.
A tensão geopolítica impulsionou também os preços do petróleo, que se aproximaram dos 100 dólares por barril, com os fluxos de energia afetados pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores globais de transporte de crude.

A subida do petróleo reforça pressões inflacionárias globais, sobretudo em economias importadoras de energia, aumentando os desafios para bancos centrais que já enfrentam um ambiente económico volátil.
Neste contexto, as decisões de política monetária ganharam protagonismo, com vários bancos centrais a optarem por manter taxas de juro estáveis, enquanto monitorizam os efeitos da crise geopolítica sobre os preços e o crescimento económico.
Na Turquia, o mercado antecipava a manutenção das taxas de juro, com a moeda local próxima de mínimos históricos, refletindo a fragilidade cambial e a dependência de fluxos externos.
Já na Indonésia, o banco central manteve a política monetária inalterada para sustentar a moeda, após sucessivas quedas recentes, evidenciando a pressão sobre divisas emergentes.


Na África do Sul, o foco manteve-se na inflação, com expectativas de novas subidas de juros ainda este ano, num cenário agravado pela alta dos preços energéticos e pela volatilidade global.
Entretanto, sinais pontuais de alívio surgiram na Europa com a retoma do oleoduto Druzhba, o que poderá estabilizar parcialmente o fornecimento energético e reduzir algumas tensões no mercado.
Apesar disso, a instabilidade política em países como a Romênia e a incerteza eleitoral na América Latina continuam a contribuir para um ambiente de risco elevado, mantendo os investidores cautelosos.
Num panorama global marcado por choques geopolíticos, inflação persistente e decisões críticas de política monetária, os mercados emergentes permanecem particularmente vulneráveis a mudanças rápidas no sentimento dos investidores e nos fluxos de capital.

